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Avesso do avesso, 2018-atual

série - 5 bordados em tecido finalizados e 18 bordados em tecido em processo

A série Avesso do avesso, iniciada em 2018, é composta atualmente por 5 obras finalizadas e outras 18 obras em desenvolvimento. As toalhas e guardanapos bordados utilizados nesta série foram encontrados em brechós e bazares de caridade de São Vicente, onde resido e trabalho, e comprados por R$1,00 cada. Para criação de cada uma das obras, realizei uma espécie de performance para mim mesmo onde estiquei cada uma das peças em um bastidor e fotografei as minhas mãos executando gestos característicos e repetidos muitas vezes no ato de bordar — colocar a linha na agulha, realizar os pontos, fazer o arremate da linha. Usando as fotografias como referência, redesenhei estas imagens, transferi os desenhos para as respectivas toalhas e as bordei. Em seguida, me apropriei de fotografias de materiais de costura encontrados em manuais de bordado e na internet e as transferi para os tecidos. O uso destas imagens traz a questão da apropriação na Arte Contemporânea e em minha própria produção — seja das peças bordadas por anônimos(as), das imagens retiradas de outros meios ou da minha aproximação e investigação com o bordado — um universo que, historicamente, foi colocada como um fazer manual e doméstico feminino.

Foi fazendo esta série que comecei a investigar o meu lugar enquanto artista homem que faz uso do bordado, tendo em vista que não recebi essa instrução de outra pessoa e nem como uma tradição familiar. Coletando essas peças antigas bordadas, passei a me ver cercado pelos trabalhos manuais destas pessoas anônimas e a questionar essas relações entre a minha produção e a delas. Também me interessa a aproximação entre o bordado como técnica artesanal decorativa e o uso destas toalhas e guardanapos como suporte dentro de uma produção artística contemporânea. Estas peças, produzidas com técnicas elaboradas de bordado, transmitida entre gerações, são desvalorizadas e vendidas por centavos — Qual é o lugar que damos para este saber humano? Por qual motivo um trabalho que faz uso deste saber só passa a ser visto e resgatado quando alguém se apropria e insere ele em um contexto de “Arte”? Qual é a minha função como artista e homem ao me apropriar destes trabalhos provavelmente realizados por mulheres? De quais privilégios estou fazendo uso nesta ação? Quantas pessoas (provavelmente, mulheres) continuaram anônimas nesse processo?

Desenho: Estado de Liberdade

Divisão de Artes Plásticas da UEL- mostra on-line

curadoria Danillo Villa

Londrina - PR - 2021

26º Salão de Artes Plásticas de Praia Grande

Palácio das Artes de Praia Grande

Praia Grande - SP - 2019

21ª Mostra Cascavelense de Artes Plásticas

MAC - Museu de Arte de Cascavel

Cascavel - PR - 2019

Imagens dos trabalhos finalizados da série "Avesso do avesso" (março/2022)

Detalhes dos trabalhos finalizados da série "Avesso do avesso" (março/2022)