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Avesso do avesso, 2018-atualmente

78 bordados em toalhas antigas,  linha de algodão e transferência de imagens xerocopiadas apropriadas ​

A série Avesso do avesso, iniciada em 2018, é composta atualmente por 90 obras finalizadas. As toalhas e guardanapos bordados utilizados nesta série foram encontrados em brechós e bazares de caridade de São Vicente/SP, onde resido e trabalho, e comprados por R$1,00 cada. Para criação de cada uma das obras, realizei uma espécie de performance para mim mesmo onde estiquei cada uma das peças em um bastidor e fotografei as minhas mãos executando gestos característicos e repetidos muitas vezes no ato de bordar — colocar a linha na agulha, realizar os pontos, fazer o arremate da linha. Utilizando as fotografias como referência, redesenhei estas imagens, transferi os desenhos para as respectivas toalhas e as bordei. Com esta ação, repito os gestos comuns a  todas pessoas que bordam e que vieram antes de mim, em uma tentativa de investigar e me apropriar deste espaço onde sou um artista e homem que faz uso de uma técnica historicamente colocada como um fazer doméstico da mulher. Em seguida, me apropriei de fotografias de materiais de costura encontrados em manuais de bordado, entre eles, do livro “Artes e Ofícios Femininos”  (Maria Vitorina de Freitas - Ed. Linográfica, 1948), e na internet e as transferi para os tecidos. O uso destas imagens traz a questão da apropriação na Arte Contemporânea e em minha própria produção — seja das peças bordadas por pessoas anônimas, das imagens retiradas de outros meios ou da minha aproximação com o bordado.

Foi fazendo esta série que comecei a investigar o meu lugar enquanto artista homem que faz uso do bordado, tendo em vista que não recebi essa instrução de outra pessoa e nem como uma tradição familiar. Coletando essas peças antigas bordadas, passei a me ver cercado pelos trabalhos manuais destas pessoas anônimas e a questionar essas relações entre a minha produção e a delas. Também me interessa a aproximação entre o bordado como técnica artesanal decorativa e o uso destas toalhas e guardanapos como suporte dentro de uma produção artística contemporânea. Estas peças, produzidas com técnicas elaboradas de bordado, transmitida entre gerações, são desvalorizadas e vendidas por centavos — Qual é o lugar que damos para este saber humano? Como é nossa relação com a tradição? Por qual motivo um trabalho que faz uso deste saber só passa a ser visto e resgatado quando alguém se apropria e insere ele em um contexto de “Arte”? Qual é a minha função como artista e homem ao me apropriar destes trabalhos provavelmente realizados por mulheres? De quais privilégios estou fazendo uso nesta ação? Quantas pessoas (provavelmente, mulheres) continuaram anônimas nesse processo?

Avesso do avesso – Itinerância (Interior de SP)

Projeto contemplado pelo ProAC 13/2023

LAB – Laboratório das Artes – Franca – SP – 2024

MARP – Museu de Arte de Ribeirão Preto – SP – 2024 Palácio das Artes de Praia Grande – SP 2024

52º Salão de Arte Contemporânea de Piracicaba Pinacoteca Municipal “Miguel Dutra”

Prêmio Aquisição - Prefeitura de Piracicaba Piracicaba – SP – 2023

Avesso do avesso

MADA – Museu de Arte Decorativa

Uberaba – MG – 2022

Imagens dos trabalhos finalizados da série "Avesso do avesso" (março/2023)

Detalhes dos trabalhos finalizados da série "Avesso do avesso" (março/2022)

 © 2025  | Julian Campos

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